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| Evgen e suas maravilhosas fotografias |
Evgen Bavcar, fotógrafo, filósofo e cineasta, nasceu em 1946, em uma pequena cidade na Eslovênia, perto de Veneza. Antes dos 12 anos já estava completamente cego. Dois acidentes, um olho, depois o outro.
Doutor em História, Filosofia e Estética pela Universidade de Sorbonne, atualmente vive em Paris em uma tradicional avenida do bairro 14 e trabalha como pesquisador junto ao CNRS. Sua tese de doutorado foi intitulada de “Arte e sociedade nas estéticas francesas contemporâneas”.
Conheceu a fotografia quando, por volta dos 17 anos, sua irmã emprestou-lhe uma câmera para que ele fotografasse uma menina por quem era apaixonado. Desde então, Bavcar exterioriza as imagens que seu cérebro produz e prova que para ser um ótimo fotógrafo, enxergar é um mero detalhe. "A fotografia não é propriedade exclusiva das pessoas que enxergam.".
“Secretamente descobri que poderia possuir algo que eu não podia ver...”
No final de 2010, esteve no Brasil, onde além de participar do congresso Arte Sem Barreiras (em Belo Horizonte) ministrou um workshop para o Instituto Londrinense de Cegos. Neste workshop, Evgen conta que os cegos podem perceber o mundo com a mesma eficiência que as outras pessoas, desenvolvendo outros sentidos além da visão.
Evgen conta com a ajuda da irmã para realizar suas fotografias, onde emprega diversas técnicas que desenvolveu durante os anos e uma das principais características do trabalho dele é o uso do chiaroscuro, compondo um belíssimo contraste entre luz e sombra, além da multiexposição.
Evgen Bavcar nunca viu suas fotografias. Conhece o próprio trabalho apenas por descrições.
“Sendo deficiente da imagem visual física, tento exprimir, através da máquina fotográfica, as aparições que se formam dentro de mim e que, enquanto tais, se tornam um pouco as imagens da transcendência invisível. Eu fotografo o que imagino. Os originais estão dentro da minha cabeça.”
Conheci o incrível trabalho de Bavcar nesse final de semestre, com a linda Marlen (uma das minhas melhores professoras) nos mostrando o documentário Janela da Alma, de 2002. Nele, Evgen aparece, junto com outros grandes nomes (como José Saramago e Hermeto Pascoal, dentre outros), com algum problema visual, tratando de questões do visível e do invisível. Quem tiver interesse em assistir, deixo o link do Youtube com o documentário completo no final do post.
O trabalho de Bavcar me chamou atenção justamente pela sensibilidade que ele mostra ter quando cria uma imagem fotográfica. A interação com o fotografado, a técnica, e também a emoção que demonstra quando alguém lhe descreve suas fotografias, sendo este o único meio existente para que ele conheça o próprio trabalho. Uma personalidade definitivamente fascinante.
“Já era cego quando tirei minhas primeiras fotos, no colégio. Na época, minha irmã tinha comprado uma Zork 6, uma máquina russa... Ela me emprestou a máquina, e tirei algumas fotos de colegas da escola. Depois, levei o filme a um fotógrafo, que já morreu. Ele o revelou, e aconteceu o milagre: lá estavam as imagens. Fiquei chocado e surpreso. Disse a mim mesmo “não vejo as imagens e, contudo, sou capaz de fazê-las”. (Janela da Alma, 2002)
Abaixo, deixo algumas das excelentes e impressionantes fotografias de Evgen Bavcar e o link para o documentário.
“Somos ao mesmo tempo nós mesmos e os outros, os quais, como nós, vivem das realidades múltiplas, visíveis e invisíveis, percebidas e não percebidas, sabidas e ignoradas."
BARROS, Manoel de. Livro sobre nada. 12. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.
BAVCAR, Evgen. A luz e o cego. In: NOVAES, Adauto (org.). Artepensamento. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
BAVCAR, Evgen. Corpo: espelho partido da história. In: NOVAES, Adauto. Homem-máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
JANELA DA ALMA. Direção de João Jardim e Walter Carvalho. Produção de Flávio R. Tambellini. Rio de Janeiro: Copacabana Filmes, 2002. 1 DVD (73min), son., color.
MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
MERLEAU-PONTY, Maurice. O olho e o espírito. São Paulo: Cosac & Naify, 2004.











Gente, que incrível! As fotos são fantásticas!
ResponderExcluirQue legal, não o conhecia. Mais uma amostra de que as pessoas são mais que suas deficiências.
ResponderExcluirBeijos
Que trabalho lindo, fotos fantásticas. Um exemplo vivo de que o trabalho do fotógrafo vai muito além do que dizem ou acham. Lindo, lindo!
ResponderExcluirVou assistir o documentário pra conhecer melhor o trabalho dele!
As fotografias são lindas, incríveis mesmo! E o fascinante é ele não se deixar limitar por sua deficiência, criando um trabalho muito bonito. (:
ResponderExcluirQue incrivel!
ResponderExcluirEu ja vi um projeto aqui no Brasil, em que cegos tem a oportunidade de serem fotógrafos.Muitos deles praticam essa arte indo a feira e fotografando frutas.
Trabalho Lindo!
Assistir esse documentário já era meu plano do final de semana, e depois de ler esse post, não tem mais nenhuma chance de não ser. Eu não sei quem disse, ou onde li, mas um dia eu li que pra "fazer arte, basta sentir". E gente, que fotografias mais incríveis!
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