Holofotes nos meus olhos cegam mais do que iluminam... Nem caiu a ficha e já caiu a ligação. — Alívio Imediato - Engenheiros do Hawaii
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Resolvi sair antes que eu enlouqueça nesse período sem aulas. Sinto muita falta. Sinto falta das aulas e de coisas das quais nem sei. Uma ausência, uma saudade, um vazio, uma angústia... Talvez o período da greve das universidades e institutos federais tenha me deixado deprimida e me transformado numa pobre coisa sedenta procurando por coisas que não existem. Eu tinha me acustumado com a rotina, com os colegas, com as matérias. Sinto falta até do ônibus lotado, vejam só, que ironia!
Me acustumei com a liberdade de andar por aí com um obejtivo em mente, fones nos ouvidos, escutando minhas musiquinhas e pensando em coisas banais e de extrema importância em meio à ilustres desconhecidos. Aconteceram muitas mudanças na minha vida, mudanças bruscas, e com boa parte delas eu ainda não descobri como lidar.
Só esta tontura seca de estar começando a viver, um monte de coisas que eu não entendo. — Morangos Mofados, Caio Fernando Abreu.
Caminhei pela longa avenida de folhas caídas, sozinha. Pensei muito sobre várias coisas, trabalhos, projetos, pessoas, vontades, deveres, saudades, tristezas, dores, alegrias, risadas... E eu acho que esse é o meu grande problema: eu penso demais. Penso, existo, não durmo direito. E quando durmo sonho demais, e quando não sonho demais acordo rápido com um gosto amargo na boca de coisas que eu poderia estar fazendo mas não tenho nenhuma vontade, não tenho nenhum estímulo. Além desse vácuo criativo, desse impulso artístico mutilado, eu me encontro entre um dilema. Quero fazer, mas não quero fazer. Não quero ir embora, mas também não quero ficar. E agora José, como é que a gente resolve isso? Como que a gente vai sair dessa cilada, meu irmão? Como que a gente vai exorcizar esses demônios? Quando que a gente vai ser feliz? E que bobagem é ser feliz... né não? Que bobagem acreditar que uma coisa invisível, insípta, incolor, intocável e inexistente vá mudar as nossas vidas para sempre. Que bobagem viver para uma utopia.
Nunca vivi para isso, mas as pessoas martelam tanto nessa idéia de felicidade que por segundos eu me convenço de que isso existe mesmo. Nunca conheci ninguém que fosse feliz de verdade, o que reforça a minha idéia de sua inexistência, mas gente que mente que é feliz... Ah! Desse tipo eu conheço um monte!
Nunca precisei mentir para nada, principalmente para mim mesma. Renato Russo já dizia que "mentir para si mesmo é sempre a pior mentira". Pensei nisso enquanto caminhava, sem intensão de desviar meticulosamente das poças d'água. Molhando ou não, tanto faz.
E a rua estava tão calma, tão vazia, que ruído algum de automóvel ou pessoa era capaz de perfurar o silêncio. O meu silêncio.





Ah esse silêncio, esse vácuo criativo, eu conheço muito bem, e eu não tenho uma rotina para onde voltar, não estou de 'férias' de nenhuma universidade :/ rs
ResponderExcluirBeijos
Meu outro lado
Antes de tudo, não acredito que o nome do seu blog é Chasing the Dragon! \o/ Simone Simons aprovaria, hahaha. :D Descobri a banda há pouco tempo e que coincidência! Enfim.
ResponderExcluirRecentemente sofri um acidente que me deixou mofada em casa por um mês e, somado a isso, teve a greve das universidades, então eu não estou fazendo absolutamente nada, mas já estou lidando bem com a solidão. Resolvi dar a vez para os livros e estou lendo desenfreadamente. Isso tem me ajudado um bocado, estou faminta de leituras como nunca estive antes.
Quanto ao bloqueio criativo, compreendo perfeitamente, mas não se acomode. Não espere a inspiração chegar, induza-a. :) E procure as pessoas. Cometi um erro de me isolar e achar que os outros tinham que vir atrás de mim e, veja bem, descobri que isso não funciona.
Excelente descrição, a leitura flui muito bem. :D
Beijo :)
"Me acustumei com a liberdade de andar por aí com um obejtivo em mente, fones nos ouvidos, escutando minhas musiquinhas e pensando em coisas banais e de extrema importância em meio à ilustres desconhecidos." Me impressionei com a qualidade da sua narrativa, você realmente tem talento para a escrita, desenvolva ainda mais, e nos dê de presente suas sábias palavras com mais frequência. Parabéns.
ResponderExcluir"o período da greve das universidades e institutos federais tenha me deixado deprimida e me transformado numa pobre coisa sedenta procurando por coisas que não existem". Oi, eu.
ResponderExcluirMe identifiquei com seu texto todo. Adorei esse ar de chuva.
Um beijo
Tenho esse bloqueio criativo já alguns anos e tá bem difícil de sair... As preocupações da vida adulta e o bloqueios nascidos no passado foram matando minha inspiração. Acredito que foi essa minha vida infeliz, onde dificilmente consigo alguma coisa. Se eu estivesse fazendo uma faculdade que me agradasse mais, talvez estivesse mais feliz e me sentisse mais inspirada. A tristeza também já me inspirou muito, mas agora não me inspira mais. Estou tão dormente que é como se fosse água com açúcar. Preciso de dorgas mais fortes... XD
ResponderExcluirTambém já não acreditei na felicidade, mas é tudo relativo. Se você está bem, então pode dizer que está feliz. Não existe felicidade plena, o SER. O que existe são os períodos, o ESTAR.
Eu era mais feliz e mais criativa quando era mais nova, só tinha que me preocupar com escola. Tinha todo tempo do mundo, tinha tempo de me socializar. Hoje está tão corrido que não tenho muita paciência de ficar jogando conversa fora com os amigos.
E a internet tem grande culpa nisso tudo. Nos faz não ter saco mais pra nada, mas ao mesmo tempo querer saber de tudo um pouco, porém tudo pela metade. Mas não consigo me desvencilhar dela. Sem ela é tudo mais sozinho. Eu já não consigo ficar só comigo mesma, e me sentir bem, como antigamente.
Beijos e boa semana.
Esses silêncios são tão mentirosos. Quem olha pensa que tudo tá calmo e tranquilo, quando na verdade um pensamento sobrepõe o outro e a gente se pega questionando tudo. É difícil, mas é importante. Nessas hora sa gente decide se o caminho atual é o certo, é o que a gente quer.
ResponderExcluirBeijo!