Nos últimos tempos tenho experimentado minha própria essência. Acostumei-me a ser duas. A estar feliz e mesmo assim deixar um assento livre para a tristeza, um copo cheio para o brinde da felicidade e o lenço no bolso caso precise chorar. Os sentimentos se misturam com facilidade, do alto ao baixo. Não consigo ser feliz. Mesmo porque, acredito que felicidade não seja uma constante, e sim uma variante. Podemos estar felizes, em um minuto, um instante. Sermos completamente felizes é utopia, e quem diz que é feliz o tempo todo é um belo de um mentiroso. Apesar de que não tenho do que reclamar, nos últimos dias tenho conseguido bastante dos meus objetivos, e mesmo a menor das glórias pessoais me deixa orgulhosa e confiante. Mas na sombra, em mim, mora um pequeno fantasma. Ele me visita por vezes. É. Tem dias, horas, que eu gosto de ocupar meu tempo com coisas deprê, gosto de ter pensamentos corrosivos, sentimentos depreciativos, gosto de curtir a fossa. Me faz bem, inclusive, me inspira. Ninguém pode negar que a melancolia é a mãe da inspiração. Meus textos saem muito melhores quando recebem uma boa dose de saudosismo, tristeza e reflexão. Pessoas geralmente não gostam de se sentirem tristes por não saberem extrair a essência da tristeza, a beleza da coisa toda. As pessoas preferem fingir, mascarar estes sentimentos, na esperança de que eles vão embora, e isso é como aprisionar em uma gaiola mais canários do que ela suporta. Deixe a melancolia livre, deixe que ela voe, dance, respire. Respeite seu tempo, respeite seus sentimentos.
Não existe triunfo sem perda, não há vitória sem sofrimento, não há liberdade sem sacrifício. Tudo tem dois lados, saiba lidar com os dois. Os ventos mudam, então ajuste suas velas. Ninguém é triste ou feliz o tempo todo.
Eu aprendi a lidar com meus sentimentos de forma mais harmoniosa, respeitando cada momento e aproveitando o que puder dele. Existe poesia em tudo, basta ter calma para identificar. Confesso que tenho muita dificuldade para escrever textos para o
Dragão, pois quero escrever coisas que o leitor goste, se identifique talvez, mas ainda assim não quero, de forma nenhuma, perder a minha essência. Este é o meu blog, e escrevo sobre mim. Nem tudo que escrevo sinto no momento, mas são sentimentos que conheço de trás para frente.
Não escrevo textos para ajudar ninguém, muito menos para me ajudar. Escrevo porque preciso escrever, porque algo em mim dita, e meus dedos obedecem. Como um rio que flui, as palavras precisam ser lidas, e o coração precisa ficar leve. Se tirar uma boa lição das coisas que eu digo, por favor me avise. Creio que não faço sentido algum, mas ainda assim, sou cheia de significados.
| I feel the darkness on my shoulder, the frost is in my heart.
So cold my hair is frozen touching my skin, my flesh.
Never look back 'cause it hurts. My heart is so cold.
I feel the frost, never look back. - Voyage feat. Sharon Den Adel |
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Lembrei de várias citações enquanto lia... algumas como "Para escrever bem só é preciso três coisas: sofrer, sofrer e sofrer". (Dostoiévski), e "Um minuto inteiro de felicidade! Afinal, não basta isso para encher a vida inteira de um homem?" (também dele).
ResponderExcluirBela forma de se expressar em prosa e ser coerente com seu eu lírico.
ResponderExcluirEscrever liberta né?
ResponderExcluirSeu texto é você, é a sua "independência" sendo usada. Adoro todos os tipos de expressão, mas a escrita é master pra mim, sempre.
Bons escritores sempre conseguem extrair o lado bom de estar triste ou apenas numa situação difícil. E é isso que faz a gente querer escrever mais e mais, sem medo de não ser interpretada e sem a obrigação de escrever pra algum fim ou ideal.
ResponderExcluirBeijo, bee!