sábado, 4 de dezembro de 2010

Yesterday...

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       Solidão é coisa estranha.
Existem mil maneiras de se sentir só, mas todas elas levam ao canto mais profundo e escuro da alma, ao nosso porão pessoal, ao armário que cheira a coisa velha. E lá dentro, a gente mastiga a solidão igual chiclete. Ela se espicha, se espicha... E vai ficando dura, intragável, sem gosto.

Dentro da solidão a gente encontra mais solidão, e vai se isolando, fugindo do mundo, desligando a luz e fechando a porta. Os outros falam e a gente só escuta um blá blá blá no fundo, que vai sumindo, sumindo... Até se desconectar completamente, esquecer da vida, esquecer de si.

          E voltam as mágoas, os sofrimentos, os Lobos-Maus e as coisas sem solução. A gente corre do Lobo pela floresta, e corre, e corre... E não tem fim, e se sente sozinho, com frio, desorientado, desconjuntado.

Não se sente bem, mas não há nada que se possa fazer. Somente esperar. Sentar na poltrona verde de veludo, velha e carcomida, e esperar algo que não se sabe o que é e nem quando vai chegar. E quando se acorda da solidão, tudo parece tão distante, tão novo. A gente se esquece de como é lá. De como é frio. E a gente é criança de novo, confiante de novo. Indestrutível de novo.


"Como queria poder te avisar: vai pelo caminho da esquerda, boy, que pelo da direita tem lobo mau e solidão medonha."  Caio F. Abreu

          Passa um tempo e a solidão vai atormentar outro coitado, e a gente vive como se fosse o último dia, como se não houvessem inimigos, impecílios e... Solidão.
A gente esquece como é se afogar em si mesmo, conhecer a própria dimensão e se assustar com ela. Se afogar, sem salva-vida, sem vela de sete dias, sem carpideira pra chorar.
E a gente fica perdido, se sente velho, sente que perde tempo, tempo que não volta mais. Então ela chega, sorrateira, dobra a barra do vestido negro e te encara sem palavras.
          Seja bem vinda de volta, pega um copo no balcão, senta aí e bebe comigo. 

"Ontem, quando eu era jovem,
O sabor da vida era doce qual a chuva sobre minha língua,
As centenas de sonhos eu sonhei,
Os esplêndidos sonhos eu planejei, eu sempre construia, que pena, na fraca e mutável areia.
Eu nunca parava para pensar o que a vida significava.
E em cada conversa, agora eu posso relembrar, elas diziam respeito a mim. A mim e nada mais."
Texto: Larissa Ventura   Trecho da música: Yesterday When I Was Young - Charles Aznavour

2 comentários:

  1. Oi, Bee!!!
    Faz tanto tempo que eu não visito seu blog, não leio seus posts. Quando chegou aqui, tá tudo tão bonito que até dá vontade de voltar a blogar. :P

    Tá lindo o seu post, viu?! Tudo, tudo lindo. Amei essa música do Charles Aznavour.

    Poxa, mesmo que a solidão esteja voltando a dar as caras, lembre-se que vc não está completamente sozinha, por mais piegas que isso soe, vc pode contar comigo pro que estiver ao meu alcance. :) Aproveite sua vida e sua juventude, não a disperdice com excesso de preocupações e tristeza pq esses anos e momentos não voltam.

    Beijos ;*

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  2. A solidão causa isso mesmo na gente, mas é como a Aline falou: temos que saber que sempre vai ter alguém pra fazer a gente ficar confiante e criança de novo!
    Você continua escrevendo perfeitamente bem, e não estou dizendo isso porque sou sua amiga, hein?
    Beijos!

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Obrigada pelo comentário, espero que tenha gostado da postagem e volte sempre! :)