O Inquietante da morte se dá, basicamente, ao tratarmos dela (como fato e também o corpo morto) como algo estranho e desconhecido, embora familiar a todo aquele que vive. Não sabemos o que há por trás de seus véus cadavéricos, tampouco sabemos se há algo. Essa incerteza intelectual ao tratarmos da morte nos traz um sentimento estranhamente familiar: o Unheimlich. Porém, tudo o que é vivo há de morrer, e enquanto a morte não chega para nós, a observamos e nos alimentamos dela.
Para algumas pessoas é extremamente inquietante tudo o que se relaciona à morte, aos cadáveres e o retorno do morto (corpo propriamente dito ou em espírito). Os complexos e medos infantis recalcados há muito retornam, e assim se torna presente a certeza de que o morto tornou-se inimigo do vivo, e deseja, mais do que qualquer coisa, levá-lo para partilhar de sua nova existência.
Já falei do Inquietante aqui no blog e também já mencionei anteriormente que este é o tema do meu TCC, onde parto da hipótese de que o Unheimlich, um conceito da psicanálise tratado por Sigmund Freud, poderia ser representado através da fotografia, com auxílio de pós-produção digital. Nele, usarei o artigo Das Unheimliche de Freud como elemento de diálogo, e buscarei representar o inquietante aliado às minhas fotografias de retrato, onde noto que há sempre um elemento inquietante e/ou obscuro/grotesco.
Um dos tipos de Inquietante que escolhi para as fotografias é o que se relaciona à morte, e nessas fotos procurei representar a morte como persona. Tive o auxílio inestimável da linda Debb Souza que topou ser a minha Morte, e também do queridíssimo Vinícius Rodrigues, que se embrenhou nos matinhos da vida e emprestou esse crânio de bode que serviu de acessório. As roupas e os acessórios (colares e lentes) são da Debb, e a maquiagem, a fotografia e a edição foram feitas por mim. Usei a câmara da Debb, uma Nikon D7000 e usei lentes 50mm. O ensaio foi nomeado como The Skeletal Garden (O Jardim Esquelético), e nem vou repetir que é por causa da música do Sopor Aeternus para não ficar cansativo.
Abaixo, as outras fotos, que podem ser vistas em melhor qualidade no meu Flickr, basta clicar em qualquer uma das imagens. Ah! E também passem lá na minha Página no Facebook, posto sempre em primeira mão por lá! (e agradeço quem der um curtir para ajudar a divulgar meu trabalho) :3
Espero que gostem, e até a próxima!









Falou de Freud e já me ganhou <3 embora eu não sei se já vi esse conceito (Freud fez uma obra tão estupidamente extensa, e mudou os conceitos tantas vezes, que acho que vou viver e morre re não vai dar tempo de ver/entender tudo, chateadíssima).
ResponderExcluirMas eu não sei se vejo a morte como inquietante, porque me lembra de um conceito muito recorrente ao longo da minha graduação: a morte é igual ao equilíbrio, que é para o indivíduo a ausência de conflito. A vida é conflito, e nós buscamos a morte, porque buscamos a ausência deste. E se uma pessoa busca isso, sei lá, "mais cedo que o esperado", corre que a porra ficou muito séria HUSHUASHUASHUASHUAS
Mas por outro lado eu concordo muito com o que você disse, e rolou inclusive uma discussão a respeito na supervisão dessa semana - me lembrei também de uma colega na escola que chorava no meio da aula, 'do nada', porque começava a pensar na morte dos pais (que estavam vivos, mas a questão era "eu não quero que eles morram", "eu vou me sentir terrível sem eles", etc). A morte, como diz meu ilustre pai, é a única certeza que temos na vida, o fantasma que paira a nossa cabeça, mas que certas vezes, pra determinadas pessoas em determinados contextos, pose significas uma mão amiga (o equilíbrio). E se ela tem esse caráter de inquietante, deve ser porque não se fala dela - ou talvez não se fale dela por ser inquietante, ou as duas coisas.
..... considerando que eu to pensando em uma IC sobre o Luto, vamos concordar que eu podia escrever umas 10 páginas nesse comentário então vamos ficar por aqui pra não cansar ninguém, HAHAHAHAHA!
Adorei as fotos, principalmente esse efeito bokeh, e confesso que o que me 'inquietou' mais foi justamente os olhos da morte. A que mais me agradou (se é que posso me agradar com fotos sobre a morte, HAHAHAHAHA XD) foi a da modelo com o crânio perto do pescoço, porque ironicamente eu achei que ele pareceu um coração e... gnt, que coisa mais bizarra. HUAHUSHUAHUAHUASHUAS
Beijos :*
HAHAHA sim, cara. Eu peguei esse artigo no Obras Completas, se te interessar, o artigo é de 1919. Eu vou ter que falar sobre a morte em diferentes culturas, pq no México, por exemplo, existe até a Santa Muerte. Mas como tô baseando tudo no Freud, isso vai ser só um outro ponto de vista, pq no artigo ele afirma esse lance Inquietante da morte e o galero vai ter que se contentar com isso xD
ExcluirE pensa que a gente foi de carro pro lugar onde fotografamos e ela foi DIRIGINDO ASSIM. Sim, cara. Dirigindo com a cara branca de base e com essas lentes ahusuhuahus pensa se nos param numa blitz?
Adorei as fotos! Acho que você atingiu o seu objetivo, representou muito bem a morte. E esses olhos pretos, deu todo o drama necessário pro ensaio!
ResponderExcluirNossa, que interessante mesmo. Relacionar fotografia conceitual com teorias de Freud <3 teu trabalho vai ficar incrível e único *-*
ResponderExcluir;**
Red Behavior
Comentei, mas não sei se foi então vou comentar de novo. Adorei suas fotografias e o tema do seu TCC. Já curti sua página no facebook e fiquei babando nas suas ilustrações, são lindas! Parabéns!
ResponderExcluirBeijos
Bluebell Bee
Não entendo de Freud, mas o pouco que entendo (e é, tipo, o mínimo, imagino), sempre me deixa fascinada. Acho que só não fui pra área da psicologia e psiquiatria pq a minha veia artística é mais forte, pq, sério, adoro o tema e estou sempre lendo coisas a respeito e tentando entender mais do assunto. Enfim! Não sei se eu encaro a morte como algo inquietante, acho que eu tenho mais é uma curiosidade técnica sobre o tema. O que vem depois, como é, esse tipo de coisa sempre deixa meus pensamentos acelerados. Acho que, em resumo, sou curiosa demais, haha.
ResponderExcluirO tema do seu TCC, por exemplo, me deixou super curiosa para vê-lo finalizado. É assunto super interessante, e a considerar as fotografias desse post, vai ficar incrível. Fotografia é outra coisa que me interessa muito e, também, sou noob, haha. Mas fico satisfeita só de ver as fotografias dos outros, é incrível de ver. E o que falar desses olhos pretos? Me lembrou de Supernatural no segundo em vi, haha. AMEI.
Um beijo!
Nossa, Larissa, parabéns pelo trabalho. TA MARAVILHINDO AMEI DE PAIXAO MEUDEUS <3
ResponderExcluirO conceito que você criou, perfeito. A execução da foto tá exatamente em harmonia... Enfim, eu amei mesmo.
Tudo bem se eu colocar as fotos no we heart it? automaticamente elas aparecem com o link original da imagem, no caso, sua página do facebook.
Amei de verdade <3
Claro que pode, Mell <3 fico feliz que tu tenha gostado *u* mais virão!
ExcluirCaracaaaa, as fotos ficaram incríveis, sério.
ResponderExcluirDe início pensei que você estava falando de algum fotógrafo famoso, quando eu li e vi que era seu, fiquei impressionada!! Parabéeeens
Beijoos, Love is Colorful
Acho estranho tentar personificar a morte, mas ainda assim as fotos ficaram liiiindas! Numa concepção meio distorcidada da realidade, de uma moça que vê o bonito no macabro, mas ficaram, HAUAHA.
ResponderExcluirSopor Aeternus me deixa apreensiva. Acho que gosto, risos.
Amiga, ques tapa na cara esse post MARAVILHOSO, essas fotos, essas citações, esse crânio de bode sinistro, estou estupefata com tanta maravilhosidade! Você samba! Não tenho dúvida nenhuma de que seu TCC vai ser perfeito, você arrasa, é competente, inteligente e criativa. Amei demais! :O
ResponderExcluirPessoas que sabem como tirar fotos fodastícas * suspiros *
ResponderExcluirE que tema maravilhoso você escolheu para o seu TCC, apesar de ser um pouco difícil de tratar esse lado ~ abstrato do inquietante. Gente, vou querer ler quando estiver pronto! <3
Ai miga, como vc é gothic urban conceitual heinnn <3 <3 <3
ResponderExcluirAcredito piamente que seu TCC será a coisa mais linda que esse planeta já viu, porque é nítido ver o seu empenho nele, sério mesmo *0*
Enfim, adoro seu trabalho, adoro Freud (exceto quando ele diz basicamente que as mulheres têm ~eveja~ do pênis dos ome) e esse post é a coisa mais linda, quero emoldurar HAHAHAHA
Bezo!
Burlesque Suicide
Esse ensaio foi o mais inspirador que já vi, sendo sincera.
ResponderExcluirO conceito me chamou muito a atenção, pois a morte é a 'entidade' que mais me fascina, talvez pelo seu mistério, talvez por ser um fim em si mesma, ou um começo.
As fotografias foram de uma execução incrível! Eu ia mesmo perguntar se usou uma cinquentinha, pois a profundidade de campo está lindíssima!
Meus parabéns, Larissa!